Bula do remédio Sandostatin


Sandostatin

Bula do remédio Sandostatin. Classe terapêutica dos Antihormonios. Princípios AtivosOctreotida. Venda sob prescrição médica.

Indicação

Para que serve?

Controle sintomático e redução dos níveis plasmáticos do hormônio de crescimento e somatomedina C em pacientes com acromegalia, inadequadamente controlados por cirurgia, radioterapia ou tratamento com agonistas da dopamina. O tratamento com Sandostatin é também indicado para pacientes acromegálicos inaptos a, ou que não desejem, se submeter à cirurgia; ou ainda no período de intervalo até que a radioterapia se torne completamente eficaz.

Alívio dos sintomas associados com tumores endócrinos gastro-entero-pancreáticos:
tumores carcinóides com características da síndrome carcinóide.

VIPomas.

Glucagonomas.

Gastrinomas/síndrome de Zollinger-Ellison, geralmente em associação com terapia com antagonista-H 2 seletivo com ou sem antiácidos.

Insulinomas, para controle pré-operatório de hipoglicemia e para terapia de manutenção.

GRFomas.

Sandostatin não constitui terapia antitumoral e não é curativa em tais pacientes.

Controle de diarréia refratária associada com AIDS.

Prevenção de complicações após cirurgia pancreática.

Farmacocinética

Como funciona?

Após injeção subcutânea, Sandostatin é rápida e completamente absorvido. As concentrações plasmáticas máximas são alcançadas dentro de 30 minutos. A meia-vida de eliminação após administração subcutânea é de 100 min. Após injeção IV a eliminação é bifásica, com meias-vidas de 10 a 90 minutos respectivamente. O volume de distribuição é 0,27 l/kg e o “clearance” orgânico total é 160 ml/min. A ligação protéica no plasma totaliza 65%. A quantidade de Sandostatin ligada às células sanguíneas é insignificante.

Contraindicações

Quando não devo usar?

Hipersensibilidade à droga.

Posologia

Como usar?

Acromegalia
Inicialmente 0,05-0,1 mg por injeção subcutânea a cada 8 ou 12 horas. O ajuste posológico deve ser baseado em avaliação mensal dos níveis de GH e sintomas clínicos e sobre a tolerância. Na maioria dos pacientes a dose diária ideal será 0,2 a 0,3 mg. Uma dose máxima de 1,5 mg ao dia não deve ser excedida.

Se não forem obtidas redução relevante dos níveis de GH e melhora dos sintomas clínicos dentro de 3 meses do início do tratamento com Sandostatin, a terapia deve ser descontinuada.

Tumores endócrinos gastro-entero-pancréaticos
Inicialmente 0,05 mg uma ou duas vezes ao dia por injeção subcutânea. Dependendo da resposta clínica, do efeito sobre os níveis dos hormônios produzidos por tumor (em casos de tumores carcinóides, sobre a excreção urinária de ácido 5-hidroxiindol acético e sobre a tolerância, a posologia pode ser gradualmente aumentada para 0,1-0,2 mg 3 vezes ao dia. Sob circusntâncias excepcionais doses mais altas podem ser requeridas. As doses de manutenção devem ser ajustadas individualmente.

Diarréia refratária relacionada à AIDS
Os dados sugerem que 0,1 mg três vezes ao dia por injeção subcutânea constitui a dose inicial ideal. Se a diarréia não for controlada após uma semana de tratamento, a dose deve ser titulada em base individual até 0,25 mg três vezes ao dia. O ajuste posológico deve se basear na avaliação do débito fecal e na tolerância.

Se não for alcançada melhora dentro de uma semana de tratamento com Sandostatin à dose de 0,25 mg três vezes ao dia, a terapia deve ser descontinuada.

Complicações após cirurgia pancreática
0,1 mg três vezes ao dia, por injeção subcutânea, durante 7 dias consecutivos, a começar no dia da operação, pelo menos 1 hora antes da laparotomia.

Nota
Os pacientes que vão se auto-administrar a droga por injeção subcutânea, devem receber orientações precisas do médico ou enfermeira.

Para reduzir o desconforto local, recomenda-se que a solução esteja à temperatura ambiente antes da aplicação. Devem ser evitadas aplicações múltiplas a intervalos curtos no mesmo local. A fim de evitar contaminação, recomenda-se que a tampa de proteção dos frascos multidose não seja perfurada mais do que 10 vezes.

Não há evidência de tolerância reduzida ou necessidade de modificação da posologia em pacientes idosos tratados com Sandostatin. A experiência com Sandostatin em crianças é muito limitada.

Efeitos Colaterais

Quais os males que pode me causar?

Os principais efeitos colaterais observados com a administração de Sandostatin são locais e gastrintestinais.

Reações locais incluem dor ou uma sensação de picada, formigamento ou queimação no local da injeção, com vermelhidão e edema, raramente durando mais do que quinze minutos. O desconforto local pode ser reduzido permitindo que a solução atinja a temperatura ambiente antes da injeção ou injetando um volume menor usando uma solução mais concentrada.

Efeitos colaterais gastrintestinais incluem anorexia, náusea, vômito, dor abdominal espasmódica, edema abdominal, flatulência, efeito laxante, diarréia e esteatorréia. Embora a excreção de gordura fecal possa aumentar, não há qualquer evidência até o momento de que o tratamento a longo prazo com Sandostatin tenha levado a deficiência nutricional devido a má absorção. Em raros casos, os efeitos colaterais gastrintestinais podem assemelhar-se a obstrução intestinal aguda, com distensão abdominal progressiva, dor epigástrica intensa, sensibilidade abdominal e contratura involuntária. A ocorrência de efeitos colaterais gastrintestinais pode ser reduzida evitando-se ingerir alimentos perto dos horários de administração de Sandostatin, ou seja, injetando-a entre as refeições ou ao deitar.

O uso prolongado de Sandostatin ® pode causar a formação de cálculos (veja “Precauções”).

Devido à sua ação inibitória sobre a liberação de insulina, Sandostatin pode prejudicar a tolerância pós-prandial à glicose. Em raros casos, pode ser induzido um estado de hiperglicemia persistente como resultado da administração crônica.

Têm havido relatos isolados de disfunção hepática associados com a administração de Sandostatin. Eles se referem a:
hepatite aguda sem colestase, onde houve normalização dos valores de transaminase à descontinuação de Sandostatin.

o desenvolvimento lento de hiperbilirrubinemia associada com elevação da fosfatase alcalina, gama-glutamil transferase e, em menor grau, das transaminases.

Advertências e Precauções

O que devo saber antes de usar?

Tendo em vista que tumores pituitários secretores de GH podem por vezes se expandir, causando complicações sérias (por ex. defeitos do campo visual), é essencial que todos os pacientes sejam cuidadosamente controlados. Se surgir evidência de expansão de tumor, procedimentos alternativos podem ser aconselháveis.

Tem sido relatado o desenvolvimento de cálculos biliares em 10-20% dos pacientes tratados a longo prazo com Sandostatin. Portanto, recomenda-se exame ultrassonográfico da vesícula biliar antes e a intervalos de 6 a 12 meses durante a terapia com Sandostatin. Se de fato ocorrerem cálculos biliares, eles são geralmente assintomáticos. Cálculos sintomáticos devem ser tratados ou por terapia de dissolução com ácidos biliares ou por cirurgia. Detalhes adicionais encontram-se disponíveis na Sandoz.

Durante o tratamento de tumores endócrinos gastro-entero-pancreáticos, podem ocorrer raros episódios de escapes repentinos do controle sintomático por Sandostatin, com rápida recorrência de sintomas graves.

Em pacientes com insulinomas, devido à sua potência relativa maior na inibição da secreção do hormônio de crescimento e glucagon em comparação com a insulina e devido à duração mais curta de sua ação inibitória sobre a insulina, Sandostatin pode aumentar a intensidade e prolongar a duração da hipoglicemia. Estes pacientes devem ser cuidadosamente observados durante o início da terapia com Sandostatin e a cada alteração na posologia. Flutuações acentuadas na concentração de glicemia podem possivelmente ser reduzidas por doses menores e mais freqüentemente administradas.

As necessidades de insulina de pacientes com diabetes mellitus, que requerem terapia com insulina, podem ser reduzidas pela administração de Sandostatin.

A experiência com Sandostatin em mulheres grávidas ou que amamentam não se encontra disponível e, portanto, elas devem receber a droga apenas sob circunstâncias estritamente necessárias.

Em um estudo de toxicidade de 52 semanas em ratos, predominantemente em machos, foram observados sarcomas no local da injeção subcutânea apenas na dose mais alta (cerca de 40 vezes a dose máxima para humanos). Não ocorreram lesões hiperplásicas ou neoplásicas no local da injeção subcutânea em um estudo de toxicidade de 52 semanas em cães. Não houve relatos de formação de tumor nos locais de injeção em pacientes tratados com Sandostatin por até três anos. Toda a informação disponível no momento, indica que os achados em ratos são específicos da espécie e não apresentam relevância para o uso da droga em seres humanos.

Superdosagem

O que fazer se alguém usar uma quantidade maior do que a indicada?

Não foram relatadas quaisquer reações que constituissem risco à vida após superdosagem aguda. A dose única máxima já administrada até hoje a um adulto foi 1.0 mg por injeção em bolus IV. Os sinais e sintomas observados foram uma rápida queda na freqüência cardíaca, rubor facial, cólicas abdominais, diarréia, uma sensação de vazio no estômago e náuseas. Todos os quais desapareceram dentro de vinte e quatro horas após a administração da droga.

Relata-se um caso que o paciente recebeu superdosagem acidental de Sandostatin por infusão contínua (0,25 mg por hora durante quarenta e oito horas ao invés de 0,025 mg por hora). Este paciente não experimentou quaisquer efeitos colaterais.

O controle da superdosagem é sintomático.

Apresentação

Ampolas 0,05 mg/ml, 0,1 mg/ml e 0,5mg/ml. caixas com 5 ampolas de 1 ml.

 

Interações

Observou-se que Sandostatin reduz a absorção intestinal de ciclosporina e retarda a de cimetidina.

Venda

Venda sob prescrição médica.

Propriedades

A octreotida é um derivado octapeptídio sintético da somatostatina de ocorrência natural com efeitos farmacológicos similares, mas com duração de ação consideravelmente prolongada. Inibe a secreção patologicamente aumentada do hormônio de crescimento (GH) e dos peptídios e serotonina produzidos dentro do sistema endócrino gastro-entero-pancreático (GEP).

Em animais, a octreotida é um inibidor mais potente que a somatostatina na liberação do hormônio de crescimento, glucagon e insulina, com maior seletividade para a supressão de GH e glucagon. A administração prolongada (26 semanas) de doses de até 1 mg/kg ao dia (via intraperitoneal) no rato e de até 0,5 mg/kg ao dia (via intravenosa) no cão é bem tolerada.

Em indivíduos sadios Sandostatin inibe:
a liberação do hormônio de crescimento (GH) estimulada pela arginina, exercício e hipoglicemia induzida pela insulina.

a liberação pós-prandial de insulina, glucagon, gastrina, outros peptídios do sistema GEP e a liberação de insulina e glucagon estimulada pela arginina.

a liberação do hormônio de estimulação da tiróide (TSH) estimulada pelo hormônio de liberação da tirotrofina (TRH)
Em pacientes acromegálicos (incluindo os que não responderam à cirurgia, irradiação ou tratamento com agonistas da dopamina) Sandostatin reduz os níveis plasmáticos do hormônio de crescimento e/ou somatomedina C. Ocorre redução clinicamente relevante do GH (cerca de 50% ou mais) em quase todos os pacientes e pode ser alcançada normalização (GH plasmático < 5 mg/ml) em cerca de metade dos casos. Na maioria dos pacientes, Sandostatin reduz acentuadamente os sintomas clínicos da doença, tais como cefaléia, edema da pele e tecidos moles, hiper-hidrose, artralgia, parestesia. Em pacientes com um grande adenoma pituitário, o tratamento com Sandostatin pode resultar em alguma diminuição da massa tumoral.

Em pacientes com tumores do sistema endócrino gastro-entero-pancreático Sandostatin, devido aos seus diferentes efeitos endócrinos, modifica diversas características clínicas. Ocorre melhora clínica e benefício sintomático em pacientes que ainda apresentam sintomas relacionados aos seus tumores, apesar das terapias anteriores, que podem incluir cirurgia, embolização da artéria hepática e várias quimioterapias, por exemplo, estreptozotocina e 5-fluorouracil.

Os efeitos de Sandostatin nos diferentes tipos de tumores são os seguintes:
Tumores carcinóides: A administração de Sandostatin pode resultar em melhora dos sintomas, particularmente rubor e diarréia. Em muitos casos isto se acompanha de uma queda na serotonina plasmática e excreção urinária reduzida do ácido 5-hidroxiindol acético. Se não houver resposta benéfica ao tratamento com Sandostatin, a terapia não deve se estender além de uma semana.

VIPomas: A característica bioquímica destes tumores é a superprodução de peptídio intestinal vasoativo (VIP). Na maioria dos casos, a administração de Sandostatin resulta em alívio da diarréia secretória grave típica da afecção, com conseqüente melhora na qualidade de vida. Isto se acompanha de uma melhora nas anormalidades eletrolíticas associadas, p. ex., hipocalemia, permitindo que os líquidos parentenal e enteral e a suplementação eletrolítica sejam retirados. Em alguns pacientes, a cintilografia por tomografia computadorizada sugere um retardamento ou contenção da progressão do tumor, ou mesmo sua diminuição, particularmente nas metástases hepáticas. A melhora clínica é em geral acompanhada por redução nos níveis plasmáticos de VIP, que podem reduzir-se a níveis dentro da faixa normal de referência.

Glucagonomas: A administração de Sandostatin resulta, na maioria dos casos, em melhora substancial do exantema migratório necrolítico, característico da afecção. O efeito de Sandostatin sobre o estado de diabetes mellitus leve que freqüentemente ocorre não é acentuado e, em geral, não resulta em redução das necessidades de insulina ou agentes hipoglicemiantes orais. Sandostatin produz melhora da diarréia e, portanto, ganho de peso naqueles pacientes afetados. Embora a administração de Sandostatin, com freqüência, leve a uma redução imediata nos níveis plasmáticos de glucagon, este decréscimo geralmente não é mantido durante período prolongado de administração, apesar da melhora sintomática continuada.

Gastrinomas/síndrome de Zollinger-Ellison: Embora a terapia com agentes bloqueadores do receptor-H 2 seletivo e antiácidos controle a ulceração péptica recorrente que resulta da hipersecreção de ácido gástrico estimulada pela gastrina, tal controle pode ser incompleto. A diarréia pode também constituir sintoma proeminente não aliviado por esta terapia. Sandostatin isolado ou em associação a antagonistas do receptor-H 2 pode reduzir a hipersecreção de ácido gástrico e melhorar os sintomas, incluindo diarréia. Outros sintomas possivelmente devidos à produção de peptídio pelo tumor, p. ex., rubor, podem também ser aliviados. Os níveis plasmáticos de gastrina caem em alguns pacientes.

Insulinomas: A administração de Sandostatin produz uma queda na insulina imunorreativa circulante, que pode, entretanto, ser de curta duração (cerca de duas horas). Em pacientes com tumores operáveis, Sandostatin pode ajudar a restaurar e manter a normoglicemia no pré-operatório. Em pacientes com tumores malígnos ou benígnos inoperáveis, o controle glicêmico pode ser melhorado sem redução mantida concomitante nos níveis circulantes de insulina.

GRFomas: Estes raros tumores são caracterizados pela produção de fator de liberação do hormônio de crescimento (GRF) isoladamente ou juntamente com outros peptídios ativos. Sandostatin produz melhora nas características e sintomas da acromegalia resultante. Isto provavelmente se deve à inibição do GRF e secreção do hormônio de crescimento e pode ser seguido por uma redução no aumento pituitário.

Em pacientes com diarréia refratária relacionada à síndrome de imunodeficiência adquirida (AIDS), Sandostatin produz controle parcial ou completo do débito de fezes em cerca de um terço dos pacientes com diarréia que não respondem aos agentes antidiarréicos e/ou anti-infecciosos convencionais.

Para os pacientes submetidos a uma cirurgia pancreática, a administração peri e pós-operatória de Sandostatin reduz a incidência das complicações típicas pós-operatórias (por exemplo, fístula pancreática, abcesso e sepsis subsequente, pancreatite aguda pós-operatória).

Recomendação para Armazenamento

Para armazenamento prolongado, as ampolas e frascos multidose de sandostatin devem ser mantidos a temperatura de 2 a 8 o c. para uso diário podem ser armazenados à temperatura ambiente por até 2 semanas.

Orientações da sandoz para o controle de pacientes durante tratamento com sandostatin com relação ao desenvolvimento de cálculos biliares.

1. os pacientes devem se submeter a exame ultrassonográfico da vesícula biliar no período basal antes de iniciar sandostatin.

2. deve ser realizado exame ultrassonográfico periódico repetido da vesícula biliar, preferencialmente a intervalos de 6 a 12 meses, durante todo o tratamento com sandostatin.

3. se os cálculos já estiverem presentes antes do início da terapia, o benefício potencial de sandostatin deve ser pesado contra os riscos potenciais associados aos cálculos biliares. não há qualquer evidência no momento de que sandostatin afete adversamente o curso ou prognóstico de cálculos biliares pré-existentes.

4. o controle de pacientes que desenvolvem cálculos biliares em associação com sandostatin:
I – cálculos biliares assintomáticos
Sandostatin pode ser interrompido ou continuado, dependendo da reavaliação da relação risco/benefício. de qualquer modo, nenhuma ação é necessária exceto continuar o controle, com freqüência aumentada se isto for considerado necessário.

Ii – cálculos biliares sintomáticos
Sandostatin pode ser interrompido ou continuado, dependendo da reavaliação da relação risco/benefício. de qualquer forma, os cálculos biliares devem ser tratados como quaisquer outros cálculos biliares sintomáticos. do ponto de vista clínico, isto inclui terapia combinada com ácidos biliares (por ex. ácido quenodeoxicólico 7,5 mg/kg por dia juntamente com ácido usodeoxicólico 7,5 mg/kg por dia) associada com controle ultrassonográfico até que os cálculos tenham desaparecido completamente.

Laboratório

Novartis Biociências

– SAC: 0800 888 3003